quarta-feira, 6 de agosto de 2008

As Olimpíadas começam depois de amanhã e eu já estou na ansiedade. De quatro em quatro anos eu me preparo psicologicamente para esse momento; aciono o despertador, cancelo compromissos, mato aula (sim, eu mato aula), fico de olho nos sites e canais de noticias sobre o evento, pra não perder nada, ou pelo menos o que eu puder evitar perder. Contrariando talvez a lógica da maioria dos brasileiros, eu prefiro as Olimpíadas às copas do mundo, mil vezes mais! A diversidade é maior, as emoções também, e, principalmente, as expectativas são menores (na mesma proporção das decepções). Os jogos olímpicos são minha felicidade nessa época, é mais ou menos como o Natal e o Oscar, com a diferença que os dois últimos acontecem todos os anos, a ansiedade é bem menor.

Só que esse ano as coisas estão um pouco diferentes pra mim. Pode ser porque estou mais madura, ou porque a situação é especialmente mais delicada mesmo, ou ainda as duas coisas; esse ano as Olimpíadas estão meio cinzas... tanto quanto o céu de Pequim.
Não dá pra simplesmetne ignorar o fato: o evento que deveria comemorar a união entre os povos (representada no cinco aros entrelaçados), a amizade, a superação e a paz, perde um pouco o brilho quando é sediado justamente num país onde os direitos primários dos seres humanos ainda não são respeitados. Pra se ter uma idéia, a China só incluiu os direitos humanos na sua Constituição em 2004, e ainda assim o que eles chamam de direitos humanos: “Qual é a essência dos direitos humanos? Tirar a pessoa da pobreza para que a pessoas possa viver de uma forma mais digna” de acordo com Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio Brasil-China, esse fim-de-semana. De um site sobre a China e sua cultura, eu tirei tal declaração: "Depois da fundação da República Popular da China, o Governo procurou sempre a resolução do problema do vestuário e do alimento do povo como preocupação principal e a tarefa mais importante e fez grandes esforços neste sentido." Então eu acho que realmente não entendi errado: na China, se você consegue comer, se vestir e sobreviver, então estão assegurados os seus direitos. A liberdade, a justiça, a paz... Na China, vêm tudo em segundo plano. Ou às vezes nem vêm, dependendo da sua origem (os tibetanos que o digam).

(
Declaração dos Direitos Humanos, que o governo da China "desconhece")

A China é um país totalitário, governada por um partido único, o Partido Comunista da China (PCC), há praticamente 60 anos. Desde Mao Tse-tung até hoje, diversos grupos lutam por uma maior liberdade dentro do país, e todos sofreram e sofrem represálias fortes por parte do governo. Aliás, um dado aterrorizante: estima-se que mais de 60 milhões de pessoas foram executadas durante o governo de Mao Tse-tung, superando em muito o número de judeus mortos no holocausto (mais ou menos 10 milhões). Isso faz do ditador chinês um assassino superior a Hitler... Claro que hoje a coisa não é tão feia, mas bonita também não é. Não existe liberdade de expressão, de imprensa, de reunião, religiosa, de direitos reprodutivos... O caso com o Tibete é apenas um exemplo do que a ditadura chinesa faz com seu povo: opressão e mais opressão. O Tibete era um país livre até 1950, quando o governo maoísta o incorporou a República da China. Acontece que os tibetanos nunca aceitaram essa submissão, obviamente, e até hoje lutam para serem novamente reconhecidos como um país independente, enquanto para a China ele é apenas um "território autônomo". A perseguição cultural e religiosa no Tibete continua forte, e até o Dalai Lama teve que se exilar para não ser atropelado pela "potência chinesa".

Apesar dos esforços dos organizadores dos jogos e do governo chinês, de desviar a atenção da população mundial dos problemas do país (usando inclusive grandes painéis com paisagens pra tentar esconder as partes degradas das cidades), o clima dos jogos olímpicos de 2008 não é despreocupado e inocente, como se esperaria. Antes, é de ansiedade, de expectativa, de protesto, de preocupação com os próprios atletas chineses, de quem é esperado superação além do limite, e com a segurança dos outros atletas e do povo em geral. Há a preocupaçao também com o que vai acontecer quando essas duas semanas de festa acabarem: o que o povo chinês vai reter de bom desse momento de maior "abertura" de sua cultura às outras nações, e, além disso, que mudanças concretas esse evento vai deixar no país. É por isso, entre outros motivos, que não sou a favor do boicote aos jogos. Eu acredito, com meu espírito otimista, que um evento assim pode deixar marcas muito positivas na sociedade. Pode talvez ser o início de mudanças... Talvez aquela tocha olímpica, que remete ao fogo sagrado de Zeus e suas bençãos sobre os atletas, possa servir de simbolismo, uma nova luz nos caminhos da China. Que assim seja. =)

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E vamos lá, Brasil, eu já estou aqui torcendo!! =D


7 comentários:

Su disse...

É verdade, as olimpíadas é um espetáculo a parte, há toda uma história atrás dos grandes jogos olímpicos... mais mtar aula, Lô?!! Aii não!!!! rsss....
Os jogos olímpicos na china deveria abrir um leque de esperanças, mas parece que isso não aconteceu, os tibetanos ainda protestam e estragam a beleza da festa. Vamos torcer para que na abertura dos jogos, nada de ruim aconteça!!!!
Sorte para o Brasil!!!
Beijoos, Loren

DrummerChick disse...

Dá uma revoltinha aqui dentro, rapaz... que vai crescendo até virar revoltona... essa festa do esporte parece estar acontecendo num cemitério! =(

Francine Esqueda disse...

Que assim seja!!!
Legal seu post sobre a china!!!
Depois tem mais lá em casa!!!
Beijos

Nati disse...

Sempre que posso eu assisto. Tipo, hoje foi a abertura, mas a TV fica atrás de mim e enquanto eu digitava minha matéria virava a cada 5 minutos para ver o espetáculo lindíssimo que foi.
Ao mesmo tempo me dá uma pena do povo chinês. Todos tão iguais, tão oprimidos, tão pequenos... eles parecem uns bonequinhos de corda.

Éverton Vidal disse...

Só pra constar: Eu li :D. E senti vontade de orar pela China.
Bj.

Amigao disse...

Bem...estou acompanhando as seleções de futebol, a feminina e a masculina.
De resto, to boicotando a China.
ah, ninguém na China irá ler este post, pois é tudo censurado por lá.

Leandro Neres disse...

Gostei do texto... É realmente uma situação delicada. Tenho minhas opiniões, mas isso fica pra depois. Por enquanto vou acompanhando as olimpíadase torcendo pelo melhor. Na esperança de que uma luz passe por lá, de novos rumos aquela nação. E acho que aquilo que vc disse é o melhor, torcer para que eles recebam essa nova luz e eles mesmo acordem para sua realidade e discutam entre si, com autonomia sobre os seus problemas. Sem nossa intervenção ocidental, que sabemos como é...
Bjo