terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Passado a limpo

Voltar para casa é sempre uma volta ao passado pra mim, principalmente pela quantidade de coisa velha que eu sou capaz de guardar e enfurnar aqui, e não deixar ninguém jogar fora. Ontem, antes de dormir, fui fuçar nas fotos antigas, como eu sempre faço (pelo menos agora elas estão num lugar mais acessível, minha irmã organizou todas numa caixa e colocou na estante do quarto). Olho, olho e nem canso... Outra hora são os velhos livros, os meus livros infantis, minhas coleções da Disney e Uma História Por Dia, que passo o dia folheando como se já não conhecesse cada história de cor e salteado.

Aí hoje eu resolvi abrir a minha gaveta velha. Essa gaveta já causou brigas aqui, principalmente nas épocas de faxina geral ou mudança, eles brigam para virar todo o conteúdo dela num saco de lixo, e eu brigo para manter tudo exatamente onde está. Até porque eu raramente estou aqui nesses momentos críticos, e não admito que se desfaçam das minhas coisas sem a minha presença, dando o aval. Já basta aquela vez em que jogaram uma pasta de recortes fora e, no meio das fotos de artista, estava o croqui do vestido que eu usaria no Oscar, especialmente desenhado por minha melhor amiga da sétima série, uma relíquia que foi-se embora no meio dos papéis sem valor. Pois bem, hoje eu resolvi dar uma olhada na tal gaveta e enfim fazer a faxina que tanto me pedem, jogar o que não quero mais fora e guardar apenas o que me interessa. E a dificuldade continua a mesma de sempre.

A começar pela nuvem de poeira que se levanta quando eu abro a gaveta. Eu sou um ser extremamente alérgico, desses que espirra e se coça e depois fica com o nariz mais vermelho que o do Rudolph, ao mínimo contato com qualquer coisa que me cause alergia. Estou coçando até agora, da aventura vespertina. Logo que abri a gaveta dei de cara com um estojo velho do Taz, que era da minha irmã, onde costumávamos guardar canetinhas e lápis de cor. Fiquei uns minutos olhando para o estojo e lembrando da época em que ele era muito usado e sempre caía no chão, fazendo um estrondo (é de lata) e espalhando lápis para todo lado! Junto dele estavam as minhas duas caixas de cartas. Eu ainda guardo todas as cartas que recebi na minha vida, sério. Eu tenho essas duas caixas aqui, e mais três caixas lá em casa, todas abarrotadas de envelopes, papéis de carta, cartões de Natal, aniversário, amizade... Tenho guardado também todo tipo de bilhetinho que recebi, pelo menos nos meus últimos três anos de escola, e toda mensagem e todo papel que, de alguma forma, eu julguei importante ter recebido. Ou seja, é papel que não acaba mais! Tentei separar as cartas, organizar a bagunça de alguma forma, mas ainda não consegui. E ainda tenho a mania de querer ler e relembrar tudo novamente e novamente... Sendo assim, só me resta uma saída em relação às cartas: ou jogo tudo fora, ou continuo guardando tudo. Ainda não me decidi

Nessa mesma gaveta eu encontrei uma caixa de sapato e, dentro dela, três agendas velhas da escola, da oitava série, do primeiro e do segundo ano. Incrível como todo ano eu tentava usar as agendas como diário e só conseguia até, mais ou menos, julho. Depois disso, pff!, jogava num canto ou usava pra escrever músicas que eu gostasse e não sabia a letra. Como minha vida de adolescente foi um marasmo só, não tem nada de muito interessante registrado naquelas agendas. Ainda assim, gosto de olhar pra elas, gosto de ler minhas bobagens infantis, gosto de ver o capricho com que eu enfeitava as páginas, com adesivos, recortes, papel de bala e embalagens de bombom ganhados, pétalas de flores, desenhos feitos com canetinha e trechos de música combinando com o assunto abordado. Elas estão empoeiradas e a deterioração já chegou por lá também... Mas ainda não consigo me desfazer delas

Além de cartas e agendas, achei mais um monte de coisas inúteis que eu guardava há tanto tempo sem saber bem porquê. Sempre guardei recortes de revista, livros antigos, velas, laços de fita, embrulho de presente, envelopes... Ainda assim, olho pra dentro da gaveta e não consigo me decidir em jogar nada daquilo fora. Sei que devia, está ali acumulando poeira e mofo, mas parece que antes tenho que aprender a me desligar do passado e não sou muito boa nisso. Se eu fosse, as gavetas de dentro já estariam mais vazias há muito tempo e com espaço para novas conquistas. Mas eu tenho essa mania de me apegar a coisas que não têm mais valor real, apenas pelas lembranças que elas me trazem. Ô mania besta, meu Deus!

Imagem: deviantart

14 comentários:

Su disse...

Xii...
eu também tenho mania de guardar essas coisinhas, e sempre tiro um dia para organizar tudo, sempre falo que vou jogar algumas coisas fora e nunca consigo... Eu paro, olho, lembro do passado, do dia em que guardei, do dia que escrevi... essas lembranças que me fazem viajar pelo tempo da saudade...nostalgia pura!!!
Infelizmente tbm, já tive algumas coisas que se perderam e se foram... lembranças preciosas que hoje ficam apenas numa memória cheia de sauudades... outras estão aqui! Além da lembrança, eu sei que posso tocar, ler, olhar, sentir o cheiro (mesmo misturado a poeira), mas ainda tem o cheiro do dia... rsrs...
Lembranças, boooas leeembranças...
Mas não é mania besta, não Lô!!! É apenas sentimentalidade aflorada!!!!

Beijão!!!!

Letícia disse...

Sofro do mesmo problema, Lori. Não sei me desfazer das coisas. E a cada pedacinho do seu texto, me vi olhando cada treco que guardo. E também tenho alergia e só de ler, meu nariz ficou vermelho. Mas sou feita dessas lembranças também. Gosto de guardar papel.

Beijos.

Du disse...

Essa do croqui do vestido que vc usaria no Oscar foi legal! Quero dizer, legal foi a idéia, não terem jogado fora =/

Até parece eu! Tenho cartas que recebi na sexta série, acho que eu tinha uns 13 anos, por aí... Mas eu fico triste de ler certas coisas porque sinto saudades das pessoas que escreveram, daquela fase da minha vida. Talvez por isso mesmo não tenha coragem de jogar fora afinal, é um pedacinho sagrado da minha vida! Jogar fora pra que? Esses dias eu estava mostrando algumas cartas dessas pro meu filho...foi legal! :)

Ah, e eu também tenho uma alergia danada, principalmente nessa época do ano por causa do pólen das flores, principalmente larangeiras. É só chegar perto de uma e começar a espirrar, espirrar, espirrar! rsrsrsrsrsrsrs!

Mari disse...

Lorena,
Tem presentinho pra vc no Queer Girls!
bjo

Thais disse...

Lóris, eu amei esse texto! Engraçado que sábado eu tava mexendo numas coisas guardadas... É bom passar a limpo, olhar pro passado sem arrependimento :)

ÓTIMAS férias!

Helena disse...

EU FAÇO A MESMA COISA!!

- você não seria uma canceriana também, seria??? :P

jogue fora o sapato caríssimo, rs, mas não jogue o guardanapo em que a amiga me deixou um recadinho!!! rs

-- sabe o que é?
essas são manias de quem sabe enxergar o verdadeiro valor das coisas!

não é mania besta não!
é sabedoria mesmo! :*

um xêro gigante menina-amélie! ;]

Lorena disse...

Helena, Helena, logo desconfiei que você também era canceriana! hahahaha!
Eu tenho mania de tentar adivinhar o signo dos outros, o meu está estampado na minha cara, né?
beijos!

Camila disse...

Céus! Eu não havia comentado ainda? Achei que sim e já estava era vindo comentar de novo pra contar que hoje estava arrumano meu quarto e minha mãe estava dando bronca por causa da minha gaveta cheia de tudo. Mas acabei ajeitando tudo, menos ela, porque ela vai dar mais trabalho que o quarto todo e lá tem até coisa que dói e faz doer.

Prometi que antes do ano novo faço isso, mas hoje não. Amanhã, quem sabe? A gaveta está cheia de passado e eu deixo ela pro futuro. Só a abro, bem rapidinho, pra empurrar mais um pouquinho de sentimento pra dentro, porque ela precisa do meu presente.

E quem sabe encontro minha flauta lá?

Beijinhos, Lores!

Mari disse...

Lorena,
Nem precisa pedir, né?? Pode pegar o que quiser no QG! Mi casa es su casa!!
Não cabe as blogueiras do meu coração nessas brincadeiras...é horrível!! Parece a escolha de Sofia!! rs...
Achei umas gifs tão lindinhas da Amelie...se vc quiser, te envio por email. É só escrever para mim: queergirls.br@gmail.com
Um beijão pra vc!! Adoro seu canto!!

Mari disse...

Lorena,
Mudei a postagem só por sua causa!!
bjos

disse...

Quem não tem mania de guardas coisas que nos caras.
Eu tenho, tudo eu guardo.
Minha criança espero que tenhas chegado bem, pois 20 horas de viagem não é fácil!
Que Deus te abençoe junto aos seus e boas férias pra ti!

disse...

Quem não tem mania de guardas coisas que nos caras.
Eu tenho, tudo eu guardo.
Minha criança espero que tenhas chegado bem, pois 20 horas de viagem não é fácil!
Que Deus te abençoe junto aos seus e boas férias pra ti!

Péricles Carvalho disse...

eu tb tenho sensações especiais ao voltar pra casa...

sempre me recordo do filme Peixe Grande, e suas alusões à cidade como aquário, e a necessidade de um aquário maior... tem tb Espectro, a cidade em que o personagem chegou cedo d+ e voltou tarde d+...


to escrevendo sobre isso - e esse texto seu, meio que, se conectou ao meu, hehe!

FELIZ NATAL! xD

Nati disse...

Lore, eu também costumava guardar todas essas coisas. Meus bilhetes tinham horário e qual era a aula que deveríamos estar assistindo enquanto trocávamos bilhetinhos. =]

Até que um belo dia eu joguei praticamente tudo fora, não restou pedra sobre pedra. Na época ficou um vaziozinho, mas hoje em dia eu nem lembro mais.

O que foi bom mesmo ficou na minha memória pra sempre, com ou sem recordação material.

Beijo, Lore