terça-feira, 25 de novembro de 2008

A Síndrome do Urso de Pelúcia

Não sei se isso acontece com vocês, mas é algo que eu tenho reparado em mim. Ah, antes de começar: raramente venho aqui contar experiências tão pessoais assim tão abertamente; quando quero e preciso falar delas, invento floreios, vocês sabem. Mas acredito que o assunto de hoje talvez seja de utilidade pública, por isso resolvi abordar assim abertamente. Pois bem, voltando... O que tenho reparado em mim, e que acredito que talvez aconteça com todos mas eu não sei, é que quando estou passando por algum momento muito difícil da vida eu me apego a alguma coisa e aquela coisa torna-se duas, quatro, dez vezes mais importante do que sempre foi e eu começo a não conseguir me imaginar mais sem ela. Parece que deposito em um objeto (comigo é objeto, com outras pessoas pode ser outra coisa) toda a minha salvação: não há vida sem e fora dele. E o objeto do meu afeto desesperado é o meu urso de pelúcia, o Harminy.

Ele já foi tema de post aqui, acho que quase todo mundo deve conhecê-lo, pelo menos já me ouviram citá-lo em algum lugar. Pois bem, Harminy é meu "filho" há oito anos quase (sete anos e meio completos mês que vem). É um verdadeiro "teddy bear", ele tinha até um laço no colarinho, que eu desfiz há algum tempo porque teimava em ficar torto. Tem o pelo arrepiado de
velhice e poeira (e também porque ele ainda é da época em que a pelúcia não era nobre e macia como hoje em dia), olhos de plástico e mora na minha cama desde o dia em que eu o ganhei no meu aniversário de 16 anos, de um amigo muito querido que sumiu no mundo (mentira, eu o vi nas últimas férias, depois de anos sem saber notícia!) e que não deve imaginar que o presente que ele me deu naquela época ainda está comigo até hoje. Aliás, ele nem deve lembrar disso. Mas eu lembro, eu o guardei e hoje não tenho coragem de dá-lo a ninguém, nem à última criança carente do mundo. Porque eu também sou uma criança carente.

Sempre que algo de ruim acontece, é a ele que eu recorro. O que quer dizer que me agarro ao urso com violência e começo a carregá-lo para todo canto dentro de casa (ainda não cheguei ao nível absurdo de carregá-lo para fora de casa). Já cheguei a passar um dia arrastando o ursinho pela casa, agarrada a sua "pata" (?)... Pensem na cena. Não, eu não tenho cinco anos, tentem imaginar uma mulher de 23 anos andando pela casa arrastando um urso pela mão... Patético, né? Não, desesperador! Um dia, preocupada com essa situação ridícula, eu conversei com uma amiga que é quase psicóloga e ela me disse que era normal, que não era para eu me preocupar, que o urso provavelmente significava muito para mim e que por isso eu depositava nele toda essa carga emocional. Sim, é verdade, mas ainda assim é ridículo. Só que eu não consigo fazer diferente... Se começo a querer chorar, quem é o primeiro a secar as lágrimas? Harminy. Se estou enfurecida, quem é o primeiro a sofrer as conseqüências, sendo atirado com força para um canto qualquer? Harminy. Se estou extremamente carente, quem dorme abraçado comigo? Harminy. E se ele não está por perto, parece que existe um vazio imenso que nunca vai ser preenchido... E eu fico agoniada com a simples idéia de que um dia ele pode sumir, ser roubado, sequestrado, perder um olho, ser comido por um cachorro, sei lá!

Sei que algumas pessoas têm esse apego com outras coisas... Conheço gente da minha idade que até hoje dorme com um "paninho" significativo, como o Linus do Snoopy. Tem gente que tem aquela camisa ou camisola velha, que é especial para os dias de fossa. Outras pessoas ouvem a mesma música o dia inteiro, a semana toda, o mês todo... Ou assistem a um filme, ou comem, ou se agarram a uma garrafa de vodka. Eu me agarro ao corpo macio e fofo do Harminy. Não sei até onde isso é normal mesmo, duvido um pouco que seja, não parece muito normal quando penso nos outros. Mas nos momentos de falta de serenidade, me permito ser um pouco louca, tudo bem.

Desde que o Harminy esteja junto comigo, tudo bem
.


13 comentários:

Camila disse...

Nós somos todos normais, Lores, porque temos nossas loucuras também.

E você, mais uma vez acertou! Ai, a minha camisola... Minha mãe vive ameçando jogá-la fora (da boca pra fora também). Aqui em casa todo mundo já sabe, quando saio do quarto com a tal camisola, sai de baixo, vem choro por aí, ou, no mínimo, aquela carinha de estou-precisando-de-colo, mesmo querendo ficar sozinha. Sozinha na cama com a camisola. E ela me faz bem mesmo, não sei, ela é mais macia, cai melhor, ou tem alguma mágia, não sei. Mas pra que tentar entender o que me faz bem? Me faz bem e pronto. E não estou usando minha camisola de estimação, hoje não.

A foto está a coisa mais linda! Fofa e bela!

Beijinhos, Lores!
Cuida do Harminy que ele cuida de ti também!

Su disse...

hehehehe...
Isso é completamente normal, sim! Nos apegamos aquela coisinha que não vai nos criticar, reclamar... vai simplesmente ficar em silêncio e "ouvir", "sentir" tudo o que temos que falar ou fazer... E quando descarregamos essas energias nessas coisinhas, nos sentimos tão leves...
Nem precisa se "preocupar", Lolli, isso é mais que normal, é essencial!!!

Muito, muito, muito abraço pra vc!!

Beijos

Letícia disse...

E é você na foto com o ursinho. Eu também tive meu ursinho de estimação. Ficava na minha cama e era rosa e eu sempre dormia com ele e chorava com ele perto de mim e incrível, também o ganhei de presente de um amigo. Mas passou o tempo e tive um filho e agora era a vez dele ter seu apego e eu tive de procurar algo para o meu filho se sentir mais protegido. Ele tem seus companheiros na hora de dormir e eu estou aqui tentando encontrar qual o meu protetor diário. Acho que escrever tem sido a minha nova proteção.

Seus textos falam de coisa de criança, mas são adultos.

Bjs, Lori.

Du disse...

Eu fiquei aqui alguns momentos pensando no que eu me apego...foi difícil. Talvez na música que só paro de ouvir quando durmo...
Tenho o meu panda gigante de pelúcia, mas ele tá lá abandonado, coitado...

Pensando bem, acho que tenho um "Harminy" só que de carne e osso e estou tão apegada a ele que não consigo imaginar a minha vida daqui pra frente longe dele. É, isso também não é legal de sentir, porque se apegar as pessoas é um risco muito grande. Mas ele é meu amigo e meu amor, então...
Ah, quer saber Lô? Acho que a gente se preocupa demais com as coisas que deveriam ser simples.
O Harminy pra você é essencial porque é uma ótima companhia para o silêncio. Eu acho isso bem normal, sabe?

Um beijão, querida!

Ps: Belíssima na foto!

disse...

Linda criança, mais linda mesmo!

Quando seu ano letico acabar , que falta só um pouquinho, tudo isso vai passar e você verá que valeu o sofrimento. A mamãe também deve estar morrendo de saudade da filha linda e querida, e sabe Lo quando você chegar em sua casa chore bastante mesmo no colo dela, faz um bem danado. Minha filha de vez em quando faz isso, é tão bom. Não fica triste não, nunca esqueça que no momento você está semeando daqui a pouco você vai colher lindos frutos de todo seu esforço, e tendo tendo como companheiro Deus tudo fica mais fácil, fala pra ele te ajudar a carregar seu fardo, ele te ajuda e você vai sentir um alívio muito grande. eu vou ficar por aqui orando por todas vocês (em especial pra vc que tá precisando) e meu companheiro é meu terço, sem ele não durmo, ele é minha mania, se que é que se pode dizer isso...
Beijos minha criança e que Deus te abençoe muito!
Vovó Rô!

Urbano Leonel Sant' Anna disse...

Opa, Moça! Virei ursão de pelúcia?
(rsrsrsrs)

Olha, Amélie (hoje de novo pequenina)...

Acho que o meu Harminy sempre foi a música. Quando pequeno, era o meu violão. Depois, o violão e o teclado. Hoje o canto, o violão e o teclado. A música, para mim, cura tanto a dor emocional quanto a dor física. (Sendo assim, seria ela a minha verdadeira medicina.)

Tu estás, sem sombra alguma de dúvida, muito carente! Ao que tudo indica pelo cansaço e pelo afastamento involuntário da tua família. Basta ver o teu último post ("Eu quero a minha mãe!!") e este de hoje.

Paciência, pequenina...
Faltam só 5 dias para dezembro e depois vão faltar menos de duas semanas para que tu possas finalmente rever a tua família.

Beijão e um abraço de urso!

Sensata Paranóia

Éverton Vidal disse...

Nao tenho um Harminy e nem um lenço mas tenho os violoes rs. Pelo menos para os momentos extremos, de alegria ou de dor. E tenho o companheiro Belchior rs.

Fiquei imaginando a cena, é... deve ser estranho mesmo kkk. Mas, como diz o clichê todos somos meio loucos né?

Uns mais que os outros hahaha.

Beijão e um abraço de urso![2]

Francine Esqueda disse...

Querida... como é legal ler as coisas que vc posta aqui... mais ainda é admirar as imagens e descobrir coisas que eu ainda nem havia reparado!
Saudades de vc!
Bjus e bom resto de semana!

Anônimo disse...

kkk
Adorei saber das aventuras do Harminy! O meu é meu violão e algumas canções, fiquei imaginando vc arrastando o bichinho pela casa, deveras engraçado =p kkk
Bjos!
Leandro

Nati disse...

Eu tenho um pintinho de pelúcia. O nome dele é Raul (por causa do Seixas =D).
Nossa relação é mais ou menos assim. Ele dorme comigo toda noite e quando ele some eu sinto falta.

Daniele Freire disse...

Fico feliz em saber que não sou a única que tem apego com urso de pelúcia , fico mais feliz ainda em saber que é normal porque já estava preocupada, tenho um urso Pooh digo pra todos que é o meu filho, tem 13 aninhos de idade e eu 24. Me identifiquei muito com o seu texto, quando estou em casa fico grudada com ele, não deposito a minha raiva nele não tenho coragem de machucá-lo, pra mim ele tem sentimentos igual os brinquedos do filme Toy Story rsrs que loucura! Já coloquei no carro para dar uma volta kkk ponho o cobertor nele nas madrugadas devido ao frio. Eu sou doente só pode, nível de carência elevado kkk mas eu o amo demais, não me vejo sem ele, paparico como se fosse uma criança.

Gostei muito do texto e da sua foto com o Harminy!!! ��

Daniele Freire disse...

Fico feliz em saber que não sou a única que tem apego com urso de pelúcia , fico mais feliz ainda em saber que é normal porque já estava preocupada, tenho um urso Pooh digo pra todos que é o meu filho, tem 13 aninhos de idade e eu 24. Me identifiquei muito com o seu texto, quando estou em casa fico grudada com ele, não deposito a minha raiva nele não tenho coragem de machucá-lo, pra mim ele tem sentimentos igual os brinquedos do filme Toy Story rsrs que loucura! Já coloquei no carro para dar uma volta kkk ponho o cobertor nele nas madrugadas devido ao frio. Eu sou doente só pode, nível de carência elevado kkk mas eu o amo demais, não me vejo sem ele, paparico como se fosse uma criança.

Gostei muito do texto e da sua foto com o Harminy!!! ��

Anônimo disse...

Boa noite,

Procurei algo na internet em dúvidas se o sentimento que tenho pelo meu ursinho é normal, confortante encontrar pessoas aqui semelhantes a este sentimento.Eu tenho 35anos e tenho meu Basty, aaffeee indescritível o sentimento que tenho por ele, e o Basty foi um ursinho em que eu presenciei meu companheiro, mas não durmo sem meu Basty, converso, discuto, me divirto em casa com meu Basty, e tenho medo de alguém rouba-lo ou danifica- lo.

Herbert
Salvador-BA