domingo, 21 de junho de 2009

Soundtrack

O blog Fio de Ariadne porpôs para o dia de hoje, Dia da Música, uma blogagem coletiva sobre a importância da música na nossa trajetória. Eu, como ouço música o tempo todo e sei da importância que ela tem e sempre teve para mim, não poderia ficar de fora. E é incrível como a maioria das lembranças que eu tenho, ao longo da minha vida, estão ligadas à música. Posso dizer com certeza que idade eu tinha, onde morava e como era a minha vida ouvindo as músicas que me acompanharam nesses meus 24 anos.


Em casa, minha grande influência sempre foi o meu pai. Ele sempre gostou muito de música e sempre me fazia
ouvir seus cantores e bandas favoritos e mesmo que eu teimasse em não gostar no início, acabava me rendendo ao ver a paixão com que ele ouvia suas músicas. Sempre vi meu pai ouvindo música em seu tempo de folga, o via ligar o som, escolher um dos seus CDs favoritos e deitar na cama, para apreciar e descansar. E foi assim que, aos dez anos, meus cantoers favoritos não eram os que se via na TV ou se ouvia no rádio, mas Simon & Garfunkel, Bee Gees, Toquinho, Tom Jobim, maestros como Paul Maurriat e Ray Connif, além de música clássica. Várias músicas me lembram essa época da minha vida, mas algumas em especial me fazem voltar à sala da minha casa na rua 23 de Maio, sentir a textura do tapete da sala nas pernas e o cheiro da comida da minha mãe, enquanto esperávamos o almoço ficar pronto, em um domingo qualquer:

- Tarde em Itapoã, de Vinícius e Toquinho;
- Mrs. Robinson, de Paul Simon e Art Garfunkel;
- To Love Somebody, do Bee Gees;
- Love is Blue, Paul Mauriat (essa chega a me dar calafrios);

Na adolescência, apesar de continuar ouvindo as coisas que meu pai ouvia, foi que comecei a criar uma identidade musical realmente minha. Conheci o pop e o rock internacionais e muitas bandas e cantoras me ajudaram a moldar minha personalidade, me deram voz para expressar o que eu realmente sentia e compartilharam comigo dos problemas que eu tinha então, problemas de uma adolescente de interior. Foi com as Spice Girls que eu entendi pela primeira vez o que era ser garota. Não sei quantos torcem o nariz para elas hoje em dia, mas eu não posso negar que elas foram uma influência muito positiva para mim e para as minhas amigas. Vivíamos no interior do nordeste, num meio cultural que não valorizava muito a mulher, principalmente nas músicas populares da época. O que tocava no rádio era o axé ou pagode, todos com letras de duplo sentido, a maioria delas denegrindo a imagem feminina de alguma forma. Nesse contexto, eu me sentia uma privilegiada por ouvir músicas que me faziam lutar contra essa forma de ver o feminino e que me deram realmente força para ser diferente e para me valorizar mais. Foi uma fase curta da minha vida, mas eu era fanática pelas cinco inglesas pré-fabricadas! Até hoje eu sinto uma certa vibração diferente quando ouço as músicas que eu ouvia incansavelmente com meus 12 anos, principalmente as mais "feministas" delas.

- Say You'll Be There, Spice Girls.


Nessa mesma época, um pouco depois talvez, foi que eu descobri artistas que eu levaria para sempre comigo. O rock começou a fazer parte do meu dia a dia, principalmente as cantoras e as bandas lideradas por garotas (ainda escola das Spice Girls). Foi com 12 anos que descobri Alanis Morissette, mais tarde um pouco The Cranberries, Natalie Imbruglia, Cardigans, Garbage, The Corrs, e outras coisas que fazem parte da minha vida até hoje. Eu ouvia as músicas e me sentia compreendida. Eu via as cantoras no palco, liderando as bandas e um mercado predominantemente masculino, e achava aquilo o máximo! Queria ser igual, me vestir igual, fazer algo parecido... Nunca tive uma banda, mas nada me impedia de imitá-las em tudo, da roupa à maquiagem, e dublar as músicas na sala de casa, cantando e tocando minha guitarra imaginária em um cabo de vassoura. Até hoje eu me lembro dos dias passados com minhas amigas, ouvindo e cantando as músicas que fizeram a trilha sonora dos nossos 13 aos 17 anos:

- Promises, The Cranberries;

- You Learn, Alanis Morissette;
- My Favorite Game, do Cardigans;
- Wishing I Was There, Natalie Imbruglia;
- Push It, Garbage.

Depois dessa fase veio a universidade e não sei se é só comigo, mas essa é a época em que estamos mais em contato com a diversidade, de um modo geral, inclusive em relação à música. Nesses últimos seis anos eu entrei em contato e conheci tantas coisas diferentes, passei por novas experiências, senti emoções diferentes, vivi situações diferentes e tão distantes do que eu estava acostumada até então, que a trilha sonora dos meus últimos anos é a mais diversa de toda a minha vida. Ouço ainda tudo que apreendi desde a infância e, através do contato com pessoas diferentes, aprendi a gostar de uma variedade enorme de artistas. Aprendi que adoro músicas antigas, mais ainda do que quando convivia com meu pai e hoje até eu apresento artistas do "seu tempo" para ele. Aprendi que gosto de rock nacional também e MPB, de rock, pop/rock, indie e folk/rock, e que gosto de música alternativa e de cantores de todos os lugares do mundo. Hoje eu não saio sem meu mp3 na bolsa, e ele vive recheado de músicas de todo o tipo, que vão fazendo a trilha sonora dos meus dias. Descobri grandes nomes que me acompanham e com quem compartilho meus momentos:

- Precious Things, Tori Amos.
- O Tempo Não Para, Cazuza;
- Rainy Days and Mondays, Carpenters;
- A Case of You, Joni Mitchell;
- Something, Beatles;
- Space Oddity, David Bowie;
- Closer to Fine, Indigo Girls;
- Where does the Good go, Tegan & Sarah
- Wise Up, Aimee Mann
- Refazenda, Gilberto Gil.




E eu acredito no poder da música. É ela que me acalma, me dá conforto, me põe pra cima quando não estou bem. Ela me ajuda a vencer os tempos difícies e a aproveitar os bons momentos. É através da música que eu relaxo e que eu encontro respostas para minhas dúvidas, mas também é através dela que eu reciclo as perguntas e as minha indagações sobre o mundo. É nela que eu percebo as mudanças acontecerem e, muitas vezes, é pela música que as mudanças realmente acontecem.

11 comentários:

Nely disse...

Olá Lorena.
Muito bonito seu post.
Muito explicito e bem estreturado.
Quase a vi crescendo rsrs.
Parabéns.
Beijo com perfume de Rosa e ... Arrepio na pele.

Kenia Cris disse...

Oi Lorena! Como você mesma disse, inacreditável a semelhança das nossas preferências musicais! Você complementou a trilha sonora da minha vida com os nomes que citou aqui.

CLOSER TO FINE é a minha favorita das Indigo Girls, adoro ONE da Aimée Mann; Tegan and Sarah, Tori Amos - acho que quem gosta de um nome Indie acaba gostando de todos os outros, não é mesmo?!!! Rsrsrs...

Espero que fazer essa viagem de volta nas ondas das suas canções favoritas tenha sido tão gostoso pra você quanto foi pra mim! É que a gente deixa a correria do dia a gente ocupar tanto espaço em nossas vidas que às vezes não pára pra mais nada, nem pra pensar em como Deus foi generoso com a gente, como fomos e temos sido felizes.

Beijoca na ponta do seu nariz, mocinha!

Mari Amorim disse...

Olá Lorena
Adorei teu post,cheguei aqui através do fiodeariadne.
Boas energias
Bjs
Mari

Du disse...

Foi um privilégio te conhecer um pouco mais através da música!

E olha, vou te contar... Aimee Mann cantando Wise Up é de arrasar, tô arrepiada aqui!

AMEI a sua trilha!!!

Beijão no coração!

Líviarbítrio. disse...

Ahhhh, música.
Eu sou apaixonada por música. Ouço música desde a hora que levanto até a hora de ir dormir.

Não acompanhei de que forma descobri a música tão bem quanto você. Sei que no interior do Maranhão ouvia muito sertanejo e brega, e gostava. Logo que vim morar em uma capital conheci outros tipos de música, mas não largava "ouvido" do sertanejo, fazia-me lembrar meus pais, sempre...

Até que eu comecei a namorar um músico em início de carreira, um rapper apaixonado por música antiga, MPB e raridades incríveis. Foi então que eu descobri o gosto pelas músicas e vivo fuçando na internet músicos alternativos. Sem esquecer é claro, da trilha sonora da minha infância.

Esses dias ouvi uma música da Natalie Imbruglia que há tempos não ouvia, saudades da minha adolescência. ;)

Empolguei-me! x)

E obrigada pelas suas palavras lá na Mera. São opiniões assim que não me deixam desistir de escrever... x)

Grande beijo e uma boa semana.

Vanessa disse...

Lorena, seu post demonstra uma riqueza musical grande. Muito ogrigada pela participação.

Abraço!

Melanie Brown disse...

Fui convencida a admirá-las!rs e até hoje me sobram lembranças de quando passava tardes a imitar o jeito de ser dessas garotas apimentadas...

Carlinha Abreu disse...

Também amo Simon e Garfunkel. Escutava as músicas de crianças, mas muita jovem guarda e umas baladinhas românticas quando pequena, por causa da minha mãe. Já meu pai nunca foi muito ligado em música, a não ser aquelas bem antigonas mesmo, pq ele cresceu num interior tão interior, q música internacional pra ele não existia rsrsrs
Tuas músicas de adolescência são iguais às minhas: spice, cranberries, the corrs, alanis, inserindo aí muita mpb. Na minha fase entre colégio e começo da faculdade andei muito ligada em pop e rock, nacionais e internacionais. Tbm me ligava um poquinho em forró, pq aqui em Fortaleza é assim né! Mas essa fase durou pouco (amém). Hoje, só gosoto de algumas bandas nacionais (das mais antigas, pq essas novas muito me desagradam), mpb, pop, rockinho, hip hip, r&b, dance. Na verdade, sou bem eclética. Só detesto axé, pagode e swingueira!
Amei o post! Peguei altas dicas musicais da tua fase universidade rsrs
beijooooo

Amigao disse...

eu comecei o post, na blogagem, a partir daqui.Fui inspirado por você.

Beijão do amigão

Éverton Vidal disse...

É, a gente se bate em muita coisa, por exemplo em "Refazenda" do Gil, que marcou um momento da minha vida.

Poxa, adoro quando vc fala sobre música. Queria falar assim rs. Só falta você tocar um violäo né? Ou já toca?

Fabiana Farias disse...

Música,né? Falar mais o quê? Uma trilha sonora para cada fase da vida. A gente muda, as músicas também. Comigo já mudaram tanto e mudam a cada dia.
E você tem um bom gosto!
bj